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| Dankler comemora primeiro gol da partida |
Caros,
Passadas 24 horas da partida acho que dá para começar a fazer uma leitura mais adequada do que aconteceu.
Foi realmente uma tarde "sui generis", com todos os ingredientes de tragédia grega junto com ópera burlesca e superprodução hollywoodiana.
Não tinha como fazer uma análise completa e detalhada em um post, então resolvi voltar e escrever de novo sobre a partida. Entre todos os pontos de vista existentes, resolvi olhar pelo ponto de vista do inusitado e diferente que tivemos: um elenco que nunca tínhamos visto jogar junto, inclusive com alguns jogadores totalmente desconhecidos. E o que podemos avaliar disto?
Então vamos olhar este time que jogou, e tentar aprender um pouco do que o Botafogo tem. Vou emitir minha opinião, mas o objetivo é cada um pensar em cada jogador por si. Não vou seguir a escalação, mas começarei pelo gol.
Jefferson dispensa apresentações, mas algumas coisas ficaram claras na atuação dele. Primeiro, com poucos minutos de jogo ele ameaçou sair em bola que estava toda para Dankler, nosso zagueiro. Erro? Não, só uma demonstração da falta de entrosamento e da falta de confiança que ele tinha na zaga. Natural.
Em outro lance, em bola recuada no fogo, acho que por André Bahia, ele mostrou uma conhecida dificuldade em dar o chutão pressionado, colocando a bola pela lateral. É sim o melhor goleiro em atuação no Brasil, mas tem algumas deficiências que deixa certa preocupação pensando em Copa do Mundo.
No final do jogo, depois de algumas boas defesas, fez a do jogo, em cobrança de falta quase perfeita de Juninho. Buscou a bola lá no ângulo e garantiu o empate. Suficiente para brilhar em uma Libertadores, e tendo reservas de qualidade (Renan, Milton Raphael e Andrey).
Edílson jogou bem, apoiou, mas como sempre tomou umas bolas nas costas. Além disso cobrou ridiculamente um escanteio, muito por culpa de um gramado que está pior que os piores momentos do Engenhão, e errou passe bobo e perigoso em saída de bola. No segundo tempo cansou, me fazendo acreditar que Gilberto deveria ter entrado. Hoje eu não sei dizer, estando todos 100% fisicamente, qual seria a ordem dos nossos laterais: Lucas, Gilberto e Edílson. De qualquer forma mostrou maturidade, natural para a idade, mas também que depende de um time mais acertado para conseguir brilhar como ja fez.
Já na esquerda... adoro o futebol do Júlio César, acho que é um dos responsáveis pela nossa estabilidade na defesa, junto com Bolívar e Dória, e mesmo se arrastando nos últimos jogos é muito superior ao Lima que jogou contra o Vasco. Este parece que esgotou suas chances, e não há a menor condição de ser nem reserva em uma Libertadores da América. Precisamos de pelo menos 2 reforços para a lateral esquerda ano que vem.
Dankler errou no primeiro gol vascaíno, perdendo no alto para o zagueiro deles. Um erro em 90 minutos de boas antecipações, precisão e segurança. Considerando que é jovem e estava há meses sem jogar antes de vir para o Botafogo, digo que merece mais chances e pode ser usado com tranquilidade para poupar Bolívar.
Já André Bahia, também foi bem, mas mostrou um certo nervosismo. Se fosse um jovem em início de carreira, seria normal, mas em jogador de 29 anos, rodado e com experiência na Europa, não é fácil aceitar. Pode compor o elenco dependendo do custo, mas não dá pra fazer aposta. Não o colocaria como reserva de Dória, no máximo como terceira opção.
Como volantes começamos com Zen e Gegê. Zen, que veio da base já a algum tempo, era jogador mediano e seguro, mas promissor. Só que sofreu séria contusão e parece que ficou perdido no tempo. Não evoluiu com os demais e não apresenta mais a segurança de antes. Se formos jogar Libertadores e a direção quiser investir em um time B para o Carioca, tudo bem, pode seguir sendo opção. Talvez com ritmo possa ser terceiro reserva na LA, mas não consigo crer em mais que isso.
Por outro lado, Gegê mostrou que pode pegar qualquer posição no meio. Jovem, só vem crescendo, e atuou muito bem como volante. É verdade que no segundo tempo sentiu o peso de ser referência, tendo que dividir tudo com Renato quando o time se mostrou despreparado para segurar o ímpeto vascaíno. É pule de 10.
Hyuri e Octávio. O primeiro ficou apagado. É disciplinado taticamente, mas não conseguiu produzir o mesmo das primeiras partidas. Acho que sem o apoio de um grande time ainda vai demorar, se é que chega lá, a puxar a responsabilidade. Vai crescer, mas ainda é incerto dizer aonde pode chegar.
Com Octávio é parecido, só que este se mostrou mais impetuoso e ao mesmo tempo mais ansioso. Teve mais acertos e mais erros que Hyuri. Também merece mais preparação, para sabermos aonde pode chegar.
Sassá brigou, brigou, brigou e até acho que foi bem. Mas não foi produtivo. Como atacante não fez gol e nem chutou tanto. Como pouco tem jogado, precisa de rodagem, mas não parece ser, no momento, o cara para se colocar as fichas.
Ainda tivemos a entrada de Daniel, garoto da base que mal deve ter treinado com profissionais. Jogou somente 5 ou 6 minutos, e assim que entrou fez bela jogada, que se ele fosse jogador do Flamengo já seria capa dos jornais e o faria o novo Zico da semana. Cabe observá-lo, com prudência.
Ainda tivemos em campo Lodeiro e Renato. Acho ambos ótimos jogadores que não vivem boa fase. Renato parece em recuperação, Lodeiro ansioso e instável, com muita correria e pouco resultado. Acho que não estão valendo o que custam, mas podem render muito mais. Insistiria pensado em Libertadores, mas poderiam ser o reforço dos reservas, se acertarmos nos investimentos.
Por último, ainda tivemos em campo Bruno Mendes, que mostrou boa movimentação e vontade, e merece recuperar o ritmo, pois o sucesso dele em vários jogos ano passado não pode ter sido por acaso.
Analisando assim, jogador a jogador, posso repetir o que Paret falou na saída do jogo: se realmente conseguirmos a vaga na Libertadores, e as coisas estão bem encaminhadas para isso por mais que os pessimistas achem o contrário, este será nosso time no Cariocão. Ou seria com o elenco atual.
Com os reforços certos: dois laterais esquerdos, um zagueiro, um volante de altíssimo nível, dois meias, um do nível do Fellype Gabriel e outro de altíssimo nível, e um atacante de qualidade, temos chances de ganhar o carioca dando ritmo para os jovens e reservas e disputar de igual pra igual, ou até com superioridade, a Libertadores.
Já está chegando a hora de planejar. Não só este final de ano, como o ano que vem, e para isto esta partida foi um belíssimo laboratório. De alto custo, mas foi.
Abraços.