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3 de out. de 2011

BANANA BEBA: O CRAQUE


Olá amigos,
Antes que pensem “O Carlos Henrique bebeu...”, por favor, leiam a história toda, creio que consigo esclarecer o título.

Bem, em segundo lugar, me desculpo porque será um texto longo. Por outro lado, havia escolhido esta data para a postagem, e estava preocupado, pois iria atropelar o post de um jogo do Botafogo. Mas como o Botafogo não jogou (nada), então ficou melhor.

Amigos, venho aqui para contar uma história minha pessoal, como botafoguense. Vendo a história de amigos como  Luiz Fernando e Heleno, sabia que deveria escrever a minha. E vendo os amigos falando de Garrincha, Didi, Nilton Santos e tantos outros, sabia que deveria falar de um craque do Botafogo que tive o prazer de ver jogar, e conviver, e o nome dele é Banana Beba (não, acreditem, eu não bebi, e sei que vocês nunca ouviram falar dele).

Esta história encaixa muito bem neste momento de incerteza que vivemos agora, pois é uma história de  resistência, de acreditar no que se faz, de acreditar no Botafogo, de acreditar na vida. Uma história de superação.

Ela se passa na segunda metade da década de 70, fora do Rio de Janeiro. Eu ainda criança, o Botafogo tendo comemorado o aniversário do urubu com uma goleada de 6 a 0 poucos anos antes (creio que foi a partir deste dia que me vi botafoguense, pois pouco lembro de futebol antes disso), mas em claro declínio, entrando na tenebrosa era de 21 anos sem títulos.


Botafogo inesquecível
Pois bem, nesta época fomos morar em outro estado, em local aonde conviviam pessoas de vários locais do país, e tínhamos livre acesso a quadras de Futsal. Não, na verdade de Futebol de Salão, como se chamava na época o esporte. Neste ambiente, pude ver o futebol do meu irmão desabrochar. Sua característica, de dribles desconcertantes, com uma mobilidade aguda e irreverente, um jeito meio que de boneco-de-mola, parecendo que iria cair a qualquer momento, e mais o fato de ser alto e branco, lhe rendeu o apelido de banana bêbada, ou de forma simplificada, Banana Beba.

Só para clarear o estilo, eram umas passadas largas desengonçadas, meio ao estilo do Somália, com dribles desconcertantes ao melhor estilo Maicosuel. Na época,  comparavam ao estilo cambaleante do Toninho Cerezo. Acho que com essa descrição os amigos conseguem desenhar uma imagem do estilo do jogador. É claro que tudo isso num menino, iniciando a adolescência, e no tal futebol de salão.

Pois bem, ele era figura constante na pelada da criançada. A pelada sempre rolava naquele tradicional esquema de time de fora, e ele era um daqueles que estava sempre entre as primeiras escolhas. E dificilmente recusava uma partida, fominha de bola que era. Entretanto, além das peladas, a garotada “torcedora” acabou montando uns times fechados. Vou ser sincero, eram só dois times, o Vasco e mais outro, que realmente não lembro se Fluminense ou Flamengo. E volta e meia marcavam umas partidas, onde só o pessoal do grupinho fechado participava. Eram escalações prontas, o pessoal com uniforme e tudo. Nós que não estávamos no grupo e não tínhamos um time, só assistíamos. Inclusive o Banana Beba.

Na mesma época, os adultos resolveram aproveitar o espaço existente e organizar um clube dos moradores. O projeto foi bem pra frente, e acabou, para a garotada, resultando na criação de um torneio infanto-juvenil de futebol de salão. Abriram as inscrições, e logo estavam lá inscritos Vasco, Flamengo e Fluminense, pois já haviam criado um terceiro time, e seria um triangular.

Mas o Banana Beba, visionário (e isto me lembra o Paret com o seu/nosso BLOG), logo questionou:”Como pode o Botafogo ficar de fora dessa?”. Então ele correu atrás, arrumou quem topasse bancar parte do uniforme, e arrumou uns amigos para conseguir fazer a inscrição inicial do time dentro do prazo. E nessa estava lá eu, moleque, pequeno, franzino e perna-de-pau, compondo o elenco. Outro amigo de todas as horas, mas que não jogava nada, o Delany, também botou o nome lá. Assim como um melhorzinho no toque de bola, também botafoguense, o Ednaldo.


Galerinha em frente de casa
Estávamos inscritos! Haveria um Botafogo naquele torneio. E éramos a piada. Um verdadeiro exército de Brancaleone. Todo mundo apostando quem conseguiria a maior goleada em cima de nós. Mas o Banana Beba não era bobo, e sabia honrar o nome do Botafogo. Havia tempo para inscrever mais gente, e ele correu atrás, catando um pessoal que pouco participava das peladas, mas que ele sabia da qualidade técnica. E em poucos dias, batendo de porta em porta, ele conseguiu montar o time. Lembro até hoje e com facilidade a escalação final. Miltinho no gol, irmãos Caminha (não lembro o primeiro nome deles, talvez Márcio e Maurício), um fazendo o fixo, outro a ala esquerda, Banana Beba pela ala direita, e Ednaldo fazendo algo tipo um pivô.

Ainda assim éramos a piada do torneio. Veio o sorteio e o excelente e favorito time do Vasco, que possuía um fixo chamado Arquimedes, no melhor estilo volante inteligente, caiu para enfrentar o Flamengo. Coube ao Fluminense jogar contra nós na primeira partida do torneio. Ou seja, na cabeça de todo mundo a final seria Vasco contra Fluminense, apesar dos flamenguistas acreditarem numa vitória frente ao Vasco.


O time a ser batido
Fomos para o jogo. Eu e aqueles amigos de primeira hora fomos com muita honra para o banco de reservas, torcedores de luxo. Acabamos cumprindo papel importante naquela primeira partida.  Porque? Porque era um torneio de duas partidas, no mesmo dia, jogo depois de jogo, e era importante não cansar demais os jogadores principais. Além disso, ainda houve um motivo nobre, gesto inteligente do nosso técnico. Explico fácil, aconteceu que Banana Beba e Ednaldo começaram a partida arrasadores, e o Caminha, nosso fixo, não perdia uma atrás. Então, em determinado momento do segundo tempo a partida teve que ser interrompida para atenderem o goleiro do Fluminense, que havia desabado na área, aos prantos. Local da contusão? No coração e no orgulho, pois isto ocorreu no momento em que ele sofreu o sexto gol, e vencíamos por 6 a 0, num baile total.

Depois de alguns minutos, o menino convencido a continuar no jogo, voltamos com time todo reserva, inclusive eu na quadra, e terminamos a partida com um acachapante 8 a 2. Não éramos mais piada, muito pelo contrário. Esperávamos a final. O outro jogo foi duro, e se a memória não me falha, terminou 2 a 1 para o Vasco sobre o Flamengo.

Mesmo com o 8 a 2, todos acreditavam no título do Vasco. Entramos na final com o time principal, a partida foi dura, mas fizemos 2 a 1. Já próximo ao fim do jogo o Banana pegou uma bola pela direita, driblou um, tocou para o Ednaldo que fez o pivô e devolveu rasteira para o próprio Banana, que encheu o pé e acertou o ângulo. Golaço! E me lembro bem até hoje, o Banana Beba pulando ao estilo Pelé, comemorando aquele golaço, que sentenciava a vitória. A partida realmente fechou naqueles 3 a 1, recebemos as medalhas, orgulhosos. E a coisa foi tão intragável, que já saímos dali ouvindo o planejamento de um novo torneio, pois aquela situação era inadmissível para eles. Mas não tinha como, aquele título era nosso. Um sonho realizado.

Prontos para receber a medalha
Mais do que isso, fizeram o tal novo torneio, e a coisa quase que se tornou evento anual, pois depois do segundo tiveram que fazer um terceiro e um quarto torneio. Conseguimos nada menos que o tricampeonato. E Banana Beba foi o craque do tricampeonato do Botafogo no final da década de 70, pelo menos na minha cabeça de criança, naquele nosso mini-universo, distante do Rio de Janeiro. Pode parecer besteira? Mas não. Saibam que com isso nenhum dos garotos tinha coragem de falar mal do Botafogo, falar da nossa crise de títulos, e os diversos problemas do clube, como a perda de General Severiano. Afinal, sofriam diretamente na pele as derrotas. Foi um ponto de resistência, foi algo que nos serviu de apego, naqueles e em mais alguns anos de dificuldades.


Banana Beba amadureceu, se aventurou pelo futebol de campo, e numa brincadeira de pelada chegou a dar uns dribles num cara, mais velho, mais forte, e que conseguia detonar todo mundo que tentava driblá-lo. Ao final da pelada, o cara se apresentou e fez  um convite. Ele era jogador, zagueiro dos juniores de importante time do futebol brasileiro, antigo campeão brasileiro e atualmente na série B. Ele disse que apresentaria o Banana Beba para o técnico, para fazer um teste, e que tinha certeza que ele conseguiria a vaga. Meus pais não deixaram o teste se realizar, depois nos mudamos, outras prioridades vieram, e aí ele se afastou do futebol, apesar de jogar as peladas, sempre bem sucedido.

Veio a faculdade, e perto do fim do curso, quando ainda vivendo seu prazer pelo esporte e fazendo remo (já havia feito também atletismo), teve fortes dores nas costas. Avaliação médica indicava problema muscular, depois algo de coluna, após 3 semanas as dores só pioraram, e acabei o acompanhando carregado ao hospital, ele sem conseguir andar, sem força nenhuma nas pernas. Finalmente, rapidamente um neurologista fez o diagnóstico: um tumor pressionava sua coluna. Cirurgia feita, e a constatação de que era um tumor maligno, linfoma não-Hodgkin, levando também à quimioterapia e radioterapia. Aos 24 anos, foram 4 semanas deitado na cama, mais alguns meses entre cama e cadeira de rodas, muita fisioterapia, quase um ano necessitando de duas muletas para andar, depois só uma muleta, e finalmente usando eventualmente uma bengala para dar mais firmeza e tranquilidade.

Neste tempo todo eu também amadureci, também fiz faculdade, me formei, casei.  Meu futebol de perna-de-pau evoluiu alguma coisa, evidentemente no gol, onde acabam parando os sem talento com os pés. E perto de casa havia um campo de futebol, e então um dia fui lá, eu, meu sogro, meu cunhado e o Banana Beba, já recuperado, só com o uso eventual de sua bengala. Resolvemos bater uma bolinha, só aquela brincadeira de troca de passes, afinal éramos somente nós 4 em um campo. Acabou que depois virou uma brincadeira de chute a gol, e eu de goleiro.

A brincadeira fluía bem, saindo alguns gols e algumas defesas, aquele bate-bola onde não sai nada que preste de jogada. Nem o Banana acertava nada, afinal eram quase 2 anos sem tocar em bola, e há pouco ele andava com facilidade. Quando de repente a bola espirrou para fora da quina esquerda (direita do goleiro) da área, eu me desloquei para lá, mas o Banana correu, pegou a bola. Dei dois passos para trás e para direita, fechei o canto, e saiu o chute dele. A bola subiu, e o chute abriu, como se fosse sair a minha esquerda lá pela linha de fundo, mas eu vi que o bola já vinha com efeito, e não havia como, alta e aberta, passou por cima e à minha esquerda, e caiu em curva, entrando no ângulo esquerdo do gol. Eu olhei a bola no fundo da rede, olhei para ele e sorri com aquele pensamento de goleiro que pensa “FDP, essa não tem como, vai sacanear outro”. Ele sorriu também, baixou a cabeça. Respirou fundo, botou as mãos na cintura, e falou: “Cansei. Estou satisfeito”. Eu concordei, também estava satisfeito. 

Que orgulho daquele gol. Que orgulho de ter visto Banana Beba jogar. Que orgulho de ser tricampeão pelo Botafogo.
Que orgulho de ser Botafogo.
Parabéns Banana Beba.

18 de mai. de 2011

TROCANDO DE CLUBE E PASSANDO APERTO





1 - URUBU BOTAFOGUENSE (por Heleno de Freitas)

2 - IMAGENS HISTÓRICAS (Luiz Fernando... do BLOG)

________Novo seguidor: BACKMAN - Seja bem vindo_________
_________________________________________________________

Já contei como me tornei torcedor do Botafogo, que fez do nosso futebol a maior potência do futebol mundial. Agora vou contar a vocês como urubulino é fácil de adestrar!

Já perto do 18 anos, meu querido pai já tinha falecido há cerca de um ano, e eu estava na venda junto com meu irmão mais velho vivendo os últimos anos daquela bela época.

Um vendedor de uma cidade da região serrana vendia um café muito bom (vou evitar nomes e lugares, pois alguns ainda estão vivos, eh, eh, eh) e era um flamenguista doente mesmo (já viu alguém ser sadio e flamenguista?). O cidadão gostava de zoar com a minha cara, pois ainda vivíamos aquele tempo de times ruins. Eu dizia para meu irmão também botafoguense: Ainda dou um jeito neste urubulino, espere só. (Estas coisas aconteceram mesmo).

Certa vez ele chegou meio triste na nossa venda e reclamou que não vendia café muito bem em minha cidade e que estava quase desistindo. Não perdi tempo, porque eu conhecia quase todos os comerciantes da cidade e sabia que os mais antigos, todos botafoguenses, eram homens muito tradicionais e não gostavam muito de variar produtos e nem comprar coisas novas. Foi ai que começou um dialogo estupendo!

Heleno: Eu sei por que você não vende muito!

Vendedor: Por quê?

Heleno: Por causa do Flamengo!

Vendedor: Para com isto!

Heleno: Sério!

Vendedor: Hum!

Heleno: Quer um exemplo? Conhece o seu José Antônio (nome fictício) lá perto do colégio?

Vendedor: Sim, eu sei quem é aquele velho muquirana que nunca comprou comigo! O que tem?

Heleno: Já foi lá hoje?

Vendedor: Não!

Heleno: Nunca comprou contigo, mas aposto que ele compra hoje!

Vendedor:
Como?

Heleno: Eu sei que ele não sabe sobre o seu time, pois vocês nunca conversaram, mas faça o seguinte: vai lá agora e chega e olha o escudo do Botafogo e pergunta para ele se ele também é Botafogo que você vende na hora!

Vendedor: Que isto rapaz tá maluco! Faço isto não!

Heleno: Você é quem sabe, o café é seu, mas se fizer com ele e com os outros comerciantes que são botafoguenses, você vai vender bem!

Vendedor: Duvido!

Heleno: Vai lá agora!

Vendedor: Tá certo. Vou lá e volto, mas duvido!

Como bobo nunca fui, eu o mandei ao mais fanático botafoguense da cidade. KKKKKKKKKKKKKK! Tiro e queda, assim que ele se identificou como Botafoguense o velho abriu um sorriso e começaram a conversar e o vendedor tinha que dar a razão ao seu José Antônio. O velho na hora comprou dois pacotes de 5Kg de café. Assim que ele chegou de volta lhe perguntei:

Heleno: E ai ven
deu mesmo, né?

Vendedor: Rapaz, eu vendi 10Kg na hora para o Sr José Antônio.

Heleno: Todas as vezes que você voltar lá ele vai comprar, podes crer!

Vendedor: Será?!

Heleno: Com certeza, e pode ter certeza que ele vai falar para os outros amigos antigos de comércio.

Vendedor: Eita! Pelo menos vou vender bem!

Heleno: Vai sim! (eh, eh, eh, eh)

Passaram-se três semanas ele indo e vindo.

Vendedor: O Sr José Antônio esta comprando mesmo!!

Heleno: É, mas esqueci de lhe falar um detalhe. O Sr José Antônio é muito bravo, alguns até dizem que
ele já fechou o blusão de alguns!

Vendedor: Estou nem aí, o negócio e vender meu café.

Toda vez que tinha jogo do Botafogo, o vendedor tinha que saber como foi. A situação é que ele se hospedava num hotelzinho exatamente em cima do comércio do Sr José Antônio, e que só tinha uma televisão e a bendita resolveu dar um defeito exatamente pouco antes do jogo da final de 1989. O Sr José Antônio sempre via os jogos na garagem de sua casa embaixo do hotelzinho e chamou-lhe para ver o jogo junto, que não teve desculpas e foi obrigado a ver o jogo junto com o velho.

Os dois se abraçaram (isto aconteceu gente) no gol do Maurício. Ele teve que sair gritando FOGO, FOGO, FOGO. KKKKKKKKKKKKKK DÁ LHE FOGÃO. DÁ LHE FOGÃO dizia o urubulino!

Bem pessoal, toda, vez que ele vinha em meu comércio, falava que eu ainda iria pagar o que fiz com ele. Eu disse que não fiz nada, mas só falei que ele venderia muito se dissesse que era botafoguense, o que realmente aconteceu.

Por resto, ele passou alguns anos sendo conhecido como botafoguense em minha cidade para poder vender café. Teve que algumas vezes colocar fitas cassetes de hinos do fogão em sua Fiorino.

Como disse, é muito fácil adestrar urubulino, acho até que ele deve ter virado botafoguense mesmo. Há muitos anos que não o vejo.

Tadim do menguim e seus torcedores, são tão fraquinhos, coitadinhos.





24 de abr. de 2011

MEU AMOR AO BOTAFOGO


_____________________________________Uma história alvinegra

Meus queridos amigos botafoguenses.

Eu disse um dia lá atrás que mandaria a vcs a minha história de como tudo começou e me senti botafoguense.

Muitos dias se passaram e após a brilhante história do Heleno, fiquei matutando qual seria o dia em que poderia contar a todos os alvinegros a minha vida desde os 7 anos de idade até os dias de hoje. E este dia chegou após ler uma frase do nosso querido Paret, onde ele dizia: "ISTO É SER BOTAFOGO".



Tudo começou em 1957, quando meu querido pai foi convidado a ser dirigente das categorias de base do Botafogo, tendo sido vitorioso em todos os campeonatos de infanto-juvenil e juvenil nos anos de 57/58. Como eu era filho homem único eu o acompanhava sempre nos treinos, nos jogos, enfim minha infância foi cultivada em GENERAL SEVERIANO. E olha que sou sobrinho de grandes Beneméritos do Fluminense Futebol Club.


Durante alguns anos pude desfrutar da convivência dos ídolos imortais DIDI, NILTON SANTOS, GARRINCHA, PAMPOLINE, PAULO VALENTIN, EDSON, ADALBETTO, BETO, TOMÉ, QUARENTINHA, ZAGALLO, JOÃO SALDANHA, NENEM PRANCHA, enfim só nós podemos escrever isso, e deve dar uma inveja danada naqueles que tiveram que assistir estes craques dilacerarem o que viam pela frente, e imagine poder bater uma bola com esta turma toda, almoçar com eles antes dos jogos em General Severiano, isso na minha memória é tão presente que se torna inesquecível.

Na minha infância, ou seja, dos 7 aos 11 anos, pude bater bola com o grande Didi após os treinos, (os grandes craques da época tinham o elogio de cobra) e ele carinhosamente me chamava de cobrinha. Foram anos de sonho, e que me encheram de esperança de um dia ser jogador de futebol do Botafogo.



Mas o destino assim não quis. Meu pai se dedicava tanto ao clube que infelizmente esqueceu da sua empresa e a largou nas mãos de um seu contador (provavelmente flamenguista), que infelizmente fez o serviço sujo e o levou à banca rota.

Tivemos que abandonar o clube em virtude de tantas dívidas contraídas por meu pai. Inúmeras não foram saldadas e isto levou nossa família a recomeçar do zero nossas vidas e quase a morrer de fome, quando tive que, aos quatorze anos, junto com minha irmã mais velha (ambos éramos atletas do clube), trabalhar para poder sustentar nossa família.

Eu tinha sinceramente tudo para hoje detestar ou até mesmo odiar o Botafogo de Futebol e Regatas, pois todo aquele sonho que tinha, de repente foi por água abaixo pelo amor que meu pai tinha ao clube da Estrela Solitária a ponto de abandonar sua empresa e a largar nas mãos de um irresponsável que a detonou em pouco tempo. O mais incrível disso tudo é que fui padrinho de sua única filha a seu pedido.



Mas como disse nosso grande MARCOS PARET, ser botafoguense é isso, acreditar sempre que as coisas por piores que sejam sempre vão melhorar. O Botafogo é o ar que respiramos, não vivemos sem ele. Quem conviveu com grandes jogadores como aqueles que citei lá em cima, posso dizer hoje após 55 anos passados que se trata de uma das melhores lembranças que tenho na vida. Isso é único, é maravilhoso, e me enche de orgulho, pois ser botafoguense é ter paz no coração.

Fica ai a minha história de como me tornei um botafoguense de corpo e alma, muito disso credito a meu pai, que mesmo tendo levado na cabeça por causa em parte do clube, jamais deixou de amá-lo e fez questão de que em cima de seu caixão estivesse a bandeira do clube ao qual dedicou parte de sua vida.

Muito obrigado Botafogo, por existires na minha vida nestes 62 anos de existência. A você devo em parte a minha memória e a minha vida esportiva até os dias de hoje.

EU TE AMO, BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS.

21 de dez. de 2010

Sou Botafogo Papai!


Sou Botafogo Papai!

Não sou o melhor para manter um blog e responder os comentários, me vejo mais lá no OGloboOn acertando os urubulinos. Meu tempo está muito fechado e terei dificuldades. Mas como nosso blogueiro mor Marcos Paret nos abriu bela oportunidade acho que posso compartilhar com os amigos um belo momento de minha infância.

No interior do Rio de Janeiro, no tempo da TV preta e branca, TV à cores só para ricaços, onde só se via TV Tupi e Rede Globo, em época que o rádio de papai, um Semp 4 faixas já sem válvula, moderníssimo com transistor e um circuito integrado, coisa de dar inveja a muitos, aquela caixa de abelhas narrava jogos do Botafogo na década de 70 quando pude escolher meu time de coração.

Nada de influência de mídia pesada, pois poucos tinham TV e tempo para ver. Tempo de muito trabalho. Papai era um comerciante das antigas. Na Venda dele achávamos anzol mosquitinho, banha, enxadas, feijão, açúcar, canjiquinha, arroz vendido a peso (vendi várias vezes 500g de arroz pesado na balança e colocado em sacola de papel) e etc. Tínhamos no quintal galinhas, porcos que matávamos e vendíamos em nossa venda. Povo da roça vinha à cidade resolver problemas e fazer compras. A venda de papai era a primeira da cidade ao entrar e o povo da zona rural fazia ali seu ponto para pegar o caminhão de volta a roça.

Papai ligava o rádio para que todos pudessem ouvir os jogos de futebol. Como bom comerciante colocava de todos os times. Eu já sabia que papai torcia para o Botafogo, mas ele era bem contido para não perder os fregueses .

Eu tinha cinco anos de idade e me lembro de todos os detalhes, dos balcões, das prateleiras, das bebidas, de muitos que já foram e não estão mais entre nós.

Sempre éramos convidados para aniversários. Trabalhávamos muito e tínhamos pouco tempo para festas, mas minha querida mãe sempre que podia me levava.

Certo dia, voltei tristinho de um aniversário. Lembro como hoje! Minha mãe perguntou e eu disse que não era nada não. Chegando em casa, a Venda ainda estava aberta e já era noite, meio tarde. Papai me viu triste e perguntou: O que foi filho? Eu na simplicidade de criança disse: Papai! Eu sempre canto parabéns para meus colegas, mas ninguém canta para mim! Os olhos do velho ficaram vermelhos e ele me disse tão meigo e amável: Filho, no seu próximo aniversário seus amiguinhos vão cantar parabéns para você! Que a alegria encheu meu coração.

Chegando os seis anos de idade, papai comprou um cabrito que fiquei penalizado, mas foi para minha festa. Eu alimentava o cabritinho, e sabia que ele iria morrer. Eu gostava tanto de brincar com o bichinho. Papai comprou dezoito galinhas caipiras para a festa. Mandou fazer salgadinhos que foram aos milhares. Refrigerante as centenas. Mamãe encomendou um bolo que era um castelo encantado todo ornamentado de diversos tipos de balas e guloseimas. O fotografo da cidade foi contratado para fazer as fotos! Vovó, que ainda vive, trabalhou muito pois era uma das melhores cozinheiras da cidade. Ganhei dezenas de presentes. Tudo que é tipo de presentes e brinquedos.
Meu irmão mais velho tinha um Estrelão e jogos de botões, mas sem escudos de times. Ganhei muitos jogos de botões, até do coisa ruim ganhei. Mas pasmem! Só ganhei um, um só da Estrela Solitária.

No outro dia, passada a festa, peguei aquele jogo de botão do Botafogo e fui até papai e perguntei: Pai, este é o seu time? O velho respondeu: Sim! E eu disse: Então Sou Botafogo Papai. Obrigado pela festa! O velho abaixou com um sorriso que sinto saudades e quase venho às lágrimas ao escrever estas linhas, me deu um beijo paterno de amor e carinho e um abraço e falou: Viu seus amiguinhos cantaram parabéns para você! Você está feliz? Eu disse sim, obrigado papai.
Sou Botafogo de gratidão, sou Botafogo em homenagem ao velho amigo que se foi quando eu tinha 17 anos de idade.

Mario Filho representa bem nas palavras: “MAS SER BOTAFOGO É ESCOLHER UM DESTINO E DEDICAR-SE A ELE. NAO SE PODE SER BOTAFOGO COMO SE É OUTRO CLUBE. É PRECISO SER DE CORPO E ALMA.“

Desde então sou Botafogo, um destino escolhido sem influências, nem de meu querido amigo, mas de gratidão a um homem trabalhador, honesto e digno de onde tiro até os dias de hoje exemplos para mim e minha linda família.

Sei que meus queridos amigos tem suas histórias e poderíamos vez por outra compartilhar. Deixo os comentários dos amigos sem as minhas inserções.

Um forte abraço e me desculpem por não ser um homem das palavras como nossos amigos Paret e Carlos Henrique.

Heleno de Freitas


Leia aqui como o Botafogo mudou o rumo da história do esporte no Brasil (e do futebol no mundo).
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Imagens Históricas - Por Luiz Fernando do BLOG