O G4 É A META
e esta vitória é a arrancada final
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BOTAFOGO 3X1 NÁUTICO
Fomos para este importantíssimo jogo (pela situação que vivíamos na tabela) com um meio reforçado. Seedorf e Renato na criação, recebiam a ajuda do Otávio e do Mattos na contenção bem como também na saída para o ataque. Elias então passou a ser o atacante isolado na frente, visto a necessidade de não dar espaços para o jogo rápido que este adversário vinha praticando até então.
Começamos então nesta partida já sabendo que, neste campeonato esquisitão, o Grêmio perdera para o Criciúma em plena Porto Alegre e o Vitória, que nos perseguia na pontuação, perdia (e a derrota se confirmou) o clássico local contra o Bahia. Com isto, nossas chances de voltar antes do que imaginávamos à vice-liderança cresceriam se vencêssemos hoje, mas estamos mesmo numa fase crítica: Seedorf falhou aos 9 minutos e no seguimento da jogada, Renan, sendo traído pelo desvio da bola no gramado, tomou um franguinho básico. O nosso tic-tac então não produzia absolutamente nada e para nossa sorte, o time deles se organizava de forma razoável mas já não tinha o ímpeto das vitórias que fez em sequência antes da goleada sofrida para o Cruzeiro lá mesmo em Recife, no último domingo.
E foi isto que nos deixou a tranquilidade para reagir (isto e mais a distância da nossa revoltada torcida). No primeiro chute que demos ao gol, aos 26 minutos, conseguimos empatar e vejam, o lance surgiu dos pés do Seedorf, que limpou uma jogada pela meia esquerda e, quase da linha final do campo, cruzou na cabeça do Elias que escorou para Rafael Marques anotar. Mas nem isso foi capaz de nos devolver o toque eficiente (apesar de ter deixado o time mais tranquilo). Pois fomos assim mesmo, de toque em toque, aproveitando do bom jogo de determinados jogadores até que, aos 39 minutos, ganhamos um escanteio e, na cobrança, a bola foi rolada para Seedorf sozinho que só teve o trabalho de dominar e engavetar. Era o gol da virada, o gol do ‘ufa-ufa’.
O golaço do Seedorf - o da virada
E aqui cabe uma pergunta importantíssima: Seedorf está cansado ou está apenas desmotivado pelo mau momento do time? Pois o que se tem impressão é de que a última premissa é que é a verdadeira, visto ter o holandês começado, após o seu belo gol, a tocar melhor na bola e a perdê-la bem menos. E com a sua organização na saída para o ataque, claro que o nosso futebol ganha em qualidade e fica muito mais fácil chegar ao gol adversário.
Aos 41 minutos, Elias sentiu de novo a contusão que o afastara do time e fomos de Henrique mas a primeira etapa acabou, vejam, com o Botafogo já melhor do que o adversário em campo. O que se queria então para a segunda etapa? Atenção nas jogadas, que o time parasse de perder bolas no meio, ou em jogadas de saída rápida e, principalmente, que Otávio entrasse mais no jogo coletivo, que não tentasse tanto a jogada individual para que pudéssemos prender o time deles na sua defesa.
E logo nos primeiros segundos da etapa final, quase conseguimos levar nova vantagem do retorno da confiança do Seedorf, quando numa bela enfiada de bola ele deixou Rafael Marques livre mas o nosso atacante perdeu gol feito. E aí amigos, na passagem dos 15 minutos, as forças do nosso 10 se esvaíram e com ele, o nosso poder ofensivo. Passamos a viver unicamente do toque de bola, sem agressividade e, claro, sujeitos a uma bola rápida de alguns dos envolventes atacantes do time adversário. Aos 11 minutos, Otávio, que cumpriu mais função de marcação do que propriamente de criação, deu lugar ao Hyuri que entrou apenas para tentar manter a bola no ataque, sem muito sucesso hoje (e ainda perdeu outro gol, em nova assistência do Seedorf).
Aos 29, para tentar dar gás novo a um Botafogo que se arrastava em campo, Gegê entrou no lugar do Rafael Marques mas não conseguiu levar a campo a velocidade que esperávamos, ficando assim o Botafogo a mercê das tentativas do adversário de chegar à nossa área com aquela bola que tanto tem nos castigado neste campeonato, aquela bola de fim de jogo, quando não dá mais tempo para reagir.
Mas hoje meus amigos, hoje era dia do Fogão, era dia de acertar as contas com este destino enjoado que todo ano nos persegue e, de toque em toque, numa bela descida do Edilson aos 46 minutos, o nosso lateral chegou à linha de fundo, viu Gegê livre e rolou para um toque de mestre do garoto da base sacramentar o 3x1 no placar. E foi só. Enaltecer este time, temos sim que fazê-lo apenas pela volta da tranquilidade. Ainda estamos precisando do fato novo para voltarmos a ser uma equipe forte como o fomos durante todo o primeiro turno. E só para não esquecer, o Cruzeiro perdeu para um dos times da rabeira, o São Paulo, em pleno Mineirão, e foi por 2x0.
Amigos,
Não dá para falar sem caprichar no otimismo. É momento de dar uma arrancada, dessas fenomenais. Uma vitória suada, sofrida, lutada, mas merecida hoje, uma vitória inesperada, pelo histórico imenso de empates, no domingo, e depois vencer em Salvador o bom time do Vitória, nos colocará definitivamente como favoritos ao vice-campeonato. Brigar pelo título? Deixemos isso para a matemática e para o Cruzeiro... o que nos interessa é vencer jogos.
Rafael Marques desencantou, Seedorf também, e Gegê fez o gol que mereceu lágrimas e comemoração especial. Fechou a tampa do caixão do Náutico, que derrotado e vendo todos os rivais na briga pelo rebaixamento - Criciúma, Vasco, Ponte Preta e São Paulo - vencerem, em alguns casos inclusive em jogos inesperado, pode já fazer os planos para jogar a série B do ano que vem. Náutico é mais rebaixado do que o Cruzeiro é campeão.
Foi uma linda partida? Não acho. Sigo bastante decepcionado com o time. Não pelo caráter, vontade ou qualidade técnica, mas pela incapacidade de transformar isto em poderio no campo. Vencemos com justiça, mas um time, que lanterna do campeonato, só com a disputa já iniciada é que realmente montou seu elenco, trocou de técnico, e somente agora vem ganhando padrão de jogo.
É uma equipe bem treinada, relativamente organizada, mas é fraca tecnicamente, e sofre muito psicologicamente. É afobada, e se desespera com os próprios erros. E o Botafogo, por outro lado, mesmo tomando um gol em um frango desestruturador, soube manter a cabeça e a bola nos pés, para buscar o empate e a virada.
Mas não vamos tapar o Sol com a peneira. Isto foi contra um time limitado e ansioso. Outro adversário, mais qualificado e mais tranquilo, teria aproveitado a situação para liquidar, ou segurar, a partida. Ainda precisamos evoluir muito.
Posso dizer que no começo do jogo o time parecia ser dois laterais e mais 9 jogadores. Nossas jogadas de destaque saiam ou passavam pelos pés de Edilson ou Júlio César. Octávio foi discreto demais. Renato cumpria sua função, mas sem pegada na marcação e muito lento. O resultado disso era mais uma vez a bola passando exageradamente nos pés de Bolívar, Dória e Mattos, e sinceramente, não dá para vencer assim.
Elias sem dúvida deu outra cara para nosso ataque, perturbou os zagueiros, e quando conseguiu abrir os espaços, deu oportunidade para Rafael Marques e Seedorf aparecerem. Infelizmente nosso atacante sentiu mais uma vez uma contusão, saiu e deu lugar a Henrique. Que decepção. Muito afoito, desesperado para fazer seu gol, sem combatividade, no segundo tempo conseguia ser mais lento e menos participativo que Renato.
Este, por sua vez, mesmo com extrema lentidão, sabia ocupar os espaços e garantir o toque de bola do meio, essencial para ficarmos com a bola. Precisamos deste passe, mas também da combatividade do Gabriel. Este será um quebra-cabeças duro de resolver.
No segundo tempo, a partir dos 20 minutos, já com Henrique no lugar do Elias, e Hyuri, travado, no lugar do discreto Octávio, foi nítida a dificuldade física do time. Era cansaço, e somente cansaço. Era momento de fazer a última substituição, e a dúvida era imensa. Nossos laterais, exigidos ao limite no primeiro tempo, não rendiam mais. Renato não tinha pique para acompanhar as jogadas de meio. Rafael Marques se esforçava, desdobrava, mas parecia no seu limite físico. Seedorf fazia o que podia para marcar e passar. A correria estava por conta de Hyuri e de Marcelo Mattos.
A solução foi a entrada de Gegê no lugar de Rafael Marques. Era tanta gente que precisava sair, e as opções para entrar não traziam tanto conforto. Mas esta parecia ser a mais acertada. Seedorf, sem mobilidade, ainda tem visão e comanda, já Rafael Marques parado se torna quase inútil. E Gegê já havia mostrado garra e maturidade no jogo contra o Santos.
E o garoto foi o olhar veterano que deu a consistência necessária para nosso meio garantir a vitória por 2 a 1. Soube correr além quando necessário, soube segurar a bola e esperar a falta, soube dar os passes laterais, acompanhar as jogadas de ataque do adversário, e também seguir nossos contra-ataques.
E foi com esta competência, dita não por mim, mas sim pelo meu filho, botafoguense de 13 anos, xará do nosso Paret, que nosso garoto Gegê chegou à entrada da área para receber magistral bola recuada pelo Edílson, e matar a partida em 3 a 1, com seu primeiro gol entre os profissionais.
Se no jogo todo brilhou a estrela de Rafael Marques, e a sagacidade do craque Seedorf, em uma partida onde Júlio César foi primoroso no primeiro tempo, eu digo o seguinte: para mim o melhor em campo foi o Edílson, mas Gegê fez os 15 melhores minutos da partida.
Que estejamos prontos para atropelar urubus. Já está demorando muito para isto acontecer.
Abraços.